Administração pública vs. privada

 

Público X Privado

Quando comparamos uma administração pública com a privada, percebemos que as diferenças são enormes. Cada empresa tem a sua maneira de levar adiante as estratégias estabelecidas, além de definir qual é o melhor modelo de gestão a ser aplicado no negócio. Um modelo de gestão para o setor público é mais difícil do que para as empresas privadas.

Na administração privada, o lucro é perseguido constantemente. Uma empresa sem lucrar está “fadada ao fracasso” e para obter lucros, os números são os que indicam a forma de agir de uma organização e eles precisam estar sempre apontados para o caminho do sucesso. Os meios aos quais deverão ser utilizados para isso, dependem da cultura organizacional de cada empresa, de cada gestor.

Quando uma empresa é de micro e pequeno porte, normalmente os problemas decorrem em função da gestão centralizada nas mãos dos fundadores. Esse fato muitas vezes coloca em risco até a sobrevivência das empresas, pois há muita resistência no processo sucessório e até da troca de comando. Já nas empresas de médio e grande porte, os maiores problemas decorrem da falta de profissionais preparados para sua gestão. Os problemas diminuem quando as empresas focam no projeto empresarial, no planejamento estratégico e na governança corporativa.

Já no setor público, a coisa é diferente e entende-se que a satisfação do contribuinte é um indicador que deve ser acompanhado constantemente. Neste setor, depende, em primeiro lugar, que o tema esteja alinhado com o projeto de governo, que haja verbas orçadas para tal finalidade e que o prefeito tenha, no mínimo, vontade e queira realmente que isso aconteça.

Aqui em Ilhota percebo que precisamos evoluir em muito nesse aspecto. De nada adianta reduzir profissionais qualificados nas secretárias se isso não for refletir na motivação do semblante de nosso povo. Tenho recebido inúmeras reclamações que talvez não ecoam no ouvido do prefeito e por esse ensejo, sugiro que sua gestão crie uma ferramenta de participação popular que possibilite um diálogo permanente com o cidadão.

Levar uma administração privada para dentro do setor pública é simplesmente reduzir custos, cortar investimentos e obstruir investimentos sociais. Uma administração pública precisa de muitas pessoas, servidores qualificados, constante capacitação e preparados para atender as demandas da população.

Ao analisar o contexto municipal, temos poucas pessoas atuando na manutenção das vias públicas, profissionais para fazer a limpeza de bueiros, da tubulação pluvial, dos calçamentos, roçagem, pintura, entre outras só no setor de obras e serviços urbanos. Na saúde, outro agravante com faltam médicos, o PSF está ineficiente, os dentistas desapareceram, atendentes são poucos e assim por diante. Se formos fazer um levantamento técnico por cada secretaria, veremos que os quadros de servidores existentes não atendem se quer as perspectivas, nem muito menos a demanda da comunidade. Essa deficiência sobrecarrega os profissionais que estão atuando, muitas vezes, sob pressão, dificultando o atendimento, proporcionando uma má qualidade no serviço.

Certamente quando reduzimos o quadro de funcionários, naturalmente reduzimos a folha de pagamento e creio que precisamos mais do que isso e é notório que muitas pessoas precisam do poder público para suprir as suas necessidades básicas como moradia, alimentação, saúde, vestuário, educação e lazer. Cabe a nós enquanto agentes públicos, possibilitar o atendimento eficaz dessas demandas e não podemos estar restritos apenas nesse ou naquele serviço simples. A coisa tem que ser completa e para todos.

Entretanto, quando olhamos para uma administração pública e vimos apenas números, como um retrato do setor privado, não somos capazes de ter a sensibilidade para entrar nas casas das pessoas e ver que os seus anseios vão além de números. Os seres humanos são sentimentais e esses sentimentos movem esperanças e muitas vez não são alcançados com a racionalidade dos números, do lucro. O privado dentro do público é a ferramenta que irá produzir um governo frio e calculista, esquecendo o papel acolhedor de uma gestão publica.

Portanto, estou convicto que acredito muito numa administração pública participativa, onde o direcionamento do dinheiro público esteja diretamente e condicionado aos anseios do cidadão. Esse será o meu legado e batalharei para conquista-lo.

Superadas essas fases, outras virão, como o momento político talvez diferente. O interesse do grupo que está no poder é fazer as coisas acontecerem, mas não vejo empenho para tais mudanças.

Nós certamente somos muito mais do que números.

Rogério Flor de Souza
Vereador PT Ilhota
Assessoria

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