Uma leitura sobre a corrupção – o câncer da sociedade

Rogério Flor de Souza discursando em tribuna na Câmara de Vereadores Ilhota - Rogério do PT, Vereador Rogério,

Segundo a Transparência Internacional, o Brasil comparece como um dos países mais corruptos do mundo. Sobre 91 analisados, ocupa o 69º lugar. No Brasil a corrupção é histórica, foi naturalizada, é atacada só posteriormente se tiver atingido muitos milhões de reais e goza de ampla impunidade.

Os dados são estarrecedores. Anualmente ela representa 84.5 bilhões de reais. Esse montante daria para aumentar o número de novos leitos em hospitais em 89%. Na educação, abriria 16 milhões de novas vagas nas escolas. Na construção civil, 1,5 milhões de novas casas.

Como se explica a corrupção no Brasil? Leonardo Boff identifica três razões básicas outras: a história, a política e a cultural.

A histórica: somos herdeiros de uma perversa herança colonial e escravocrata que marcou nossos hábitos. A colonização e a escravatura são instituições objetivamente violentas e injustas. Então, as pessoas para sobreviver e guardar a mínima liberdade que tinham, eram levadas a corromper. Quer dizer: subornar, conseguir favores mediante trocas, peculato (favorecimento ilícito com dinheiro público) ou nepotismo. Essas práticas deram origem ao jeitinho brasileiro, uma forma de navegação dentro de uma sociedade desigual e injusta e à lei de Gerson que é tirar vantagem pessoal de tudo.

A política: a base da corrupção política reside no patrimonialismo, na indigente democracia e no capitalismo sem regras. No patrimonialismo não se distingue a esfera pública da privada. As elites trataram a coisa pública como se fosse sua e organiza o Estado com estruturas e leis que sirvam a seus interesses sem pensar no bem comum. Devemos dizer que o capitalismo aqui e no mundo é em sua lógica, corrupto, embora aceito socialmente.

Ele simplesmente impõe a dominação do capital sobre o trabalho, criando riqueza com a exploração do trabalhador e com a devastação da natureza. Gera desigualdades sociais que, eticamente, são injustiças, o que origina permanentes conflitos de classe. Por isso, o capitalismo é por natureza, antidemocrático, pois a democracia supõe uma igualdade básica dos cidadãos e direitos garantidos, aqui no Brasil violados pela cultura capitalista.

Se tomarmos tais valores como critérios, devemos dizer que nossa democracia é anêmica, beirando a farsa. Querendo ser representativa, na verdade, representa os interesses das elites dominantes e não os gerais da nação. Isso significa que não temos um Estado de direito consolidado e muito menos um Estado de bem-estar social. Esta situação configura uma corrupção já estruturada e faz com que ações corruptas campeiem livre e impunemente.

A cultura: ela dita regras socialmente reconhecidas. Roberto Pompeu de Toledo escreveu em 1994 na Revista Veja: “hoje sabemos que a corrupção faz parte de nosso sistema de poder tanto quanto o arroz e o feijão de nossas refeições”. Os corruptos são vistos como espertos e não como criminosos que de fato são.

Especialmente nos portadores de poder se manifesta a tendência à corrupção. Bem dizia o católico Lord Acton (1843-1902): “o poder tem a tendência a se corromper e o absoluto poder corrompe absolutamente”, e acrescentava que “meu dogma é a geral maldade dos homens portadores de autoridade; são os que mais se corrompem”.

Por que isso? Hobbes no seu Leviatã (1651) nos acena para uma resposta plausível: “assinalo, como tendência geral de todos os homens, um perpétuo e irrequieto desejo de poder e de mais poder que cessa apenas com a morte; a razão disso reside no fato de que não se pode garantir o poder senão buscando ainda mais poder”.

Aqui faço uma autocrítica ao meu Partido. Lamentavelmente foi o que ocorreu com o PT. Levantou a bandeira da ética e das transformações sociais. Mas ao invés de se apoiar no poder da sociedade civil e dos movimentos e criar uma nova hegemonia, preferiu o caminho curto das alianças e dos acordos com o corrupto poder dominante.

Entristece-me em saber que alguns membros do meu Partido mergulharam na corrupção e muitos se embriagaram com o poder. Percebo que temos um enorme desafio pela frente e cabe a nós militantes e detentores de mandatos mudarem o rumo da história.

Outro fato que me entristece foi à argumentação do impeachment da presidente Dilma Rousseff em que milhares de milhões de pessoas foram às ruas pedir a saída do PT do poder alegando o combate à corrupção e hoje vejo que ela continua gritante é só acompanhar os noticiários. E os milhões de brasileiros, onde estão? Será que fazem parte do caldo cultural que tolera a corrupção desde que promova a manutenção do Estado burguês?

Afinal de contas, quem precisa de carteira assinada? Quem precisa de aposentadoria, de saúde pública, de educação e assim por diante? Já se passaram um ano do golpe e o que percebemos é o desmonte Estado em prol de um modelo extremamente excludente e perverso, o capitalismo neoliberal.

Neste contexto, me vejo na obrigação de combater incansavelmente o avanço do neoliberalismo que prevê a obtenção exacerbada do lucro em favor de uma elite conservadora e cruel.

A luta continua!

Rogério Flor de Souza
Vereador PT Ilhota
Assessoria

🙂

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2 comentários em “Uma leitura sobre a corrupção – o câncer da sociedade

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